São Paulo - Estreantes na televisão, os atores Juliana Kametani e Eduado Hashimoto fazem parte do primeiro núcleo oriental de uma novela da Globo.Ela tem19 anos e nasceu em Curitiba (PR), mas mora no Rio de Janeiro por causa da trama. Em Belíssima, dará vida a Suzi, uma adolescente que ajuda o pai, Takai (Carlos Takeshi), na feira, e trabalha como artista de rua.

Já Hashimoto, 32, interpretará Ernesto, irmão de Suzi, que enfrentará problemas ao se apaixonar pela madrasta. Ele nasceu em Marília (SP), mas mora no Rio desde bebê.

1105_talento_oriental_01.jpgJuliana KametaniEm entrevista exclusiva ao Tudo Bem, a dupla fala da vida e da carreira.

Jornal Tudo Bem - Falem um pouco sobre seus personagens em Belíssima.
Juliana Kametani - Suzi é filha do Takai (Carlos Takeshi) e irmã do Ernesto (Eduardo Hashimoto). É artista de rua, faz teatro e aulas de dança.

Eduardo Hashimoto - Ernesto é um filho exemplar, tem bom caráter. Ele trabalha como personal trainer na Academia Physical, mas é meio imaturo em relação ao amor. Vai sentir atração pela madrasta, Safira (Cláudia Raia), e pela filha dela, Giovana (Paola Oliveira). Por conta disso, começará a fazer besteiras, como agarrar a madrasta e roubar suas roupas. Isso até o pai descobrir - e começar a bater nele.

JTB - Como vocês foram selecionados para a novela?
Juliana - Sou modelo e fiz vários comerciais em Curitiba. Quando me avisaram da seleção, fui para o Rio, fiz um único teste e passei.

1105_talento_oriental_02.jpgEduardo HashimotoEduardo Hashimoto - Eu já conhecia o Daniel Berlinsk, da produtora Rosa. Quando foi trabalhar para a Globo e ficou sabendo que estavam precisando de atores orientais para a novela, ele me ligou. Fiz o teste, passei e consegui o papel.

JTB - Vocês já tinham alguma experiência na TV?
Juliana - Eu só fiz um curso de teatro em Curitiba, quando tinha uns 14 anos. Mas nada além disso. Pretendo estudar mais teatro ainda este ano.

Hashimoto - Sempre gravei comerciais, mas nunca fiz um curso de interpretação. No teste para a novela, tentei ser o mais natural possível. O único problema é o sotaque carioca, mas há uma fonoaudióloga que ajuda todo o elenco.

JTB - Estrear em uma trama das oito ajuda muito a impulsionar a carreira?
Juliana - É muita responsabilidade. Eu, particularmente, tenho me preparado bastante, com aulas de luta, expressão corporal e voz. Os trabalhos dependem muito do ator. Se não houver dedicação, mesmo sendo uma novela das oito, ele será como qualquer outro.

Hashimoto - Com certeza. Cria todo um campo, aumentam as perspectivas…

JTB - Ser nikkei ajuda ou atrapalha na profissão?
Juliana - Acredito que ajuda, porque existem poucos japoneses trabalhando na TV.

Hashimoto - Tem um lado po­sitivo e outro negativo. No caso da novela, ajudou bastante, pois era o que eles realmente precisavam. Ser descendente foi uma maneira de me destacar. Mas, em compensação, há sempre um preconceito, pois nunca chamam atores orientais para fazer tipos comuns, apenas os mais “marcados”. Ainda mais aqui no Rio de Janeiro, onde há poucos japoneses.

JTB - Vocês têm contato com a cultura oriental?
Juliana - Minha família nunca foi muito tradicional. Eu e meus irmãos nem sabíamos comer com hashi direito. Agora, por conta da novela, estou adquirindo mais contato - estudo, leio livros. Estamos até pensando em ir para o Japão.

Hashimoto - Sou sansei e meus pais têm bastante contato com a colônia. Gosto da culinária, aprendi nihongo quando criança, mas esqueci bastante coisa. Hoje, falo poucas palavras.
Nádia Kaku

Publicado originalmente no site do jornal Tudo Bem em 05/11/2005.