Maria Yoshie Shiraishi
Médica, especializada em pediatria

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O álcool causa alterações múltiplas no funcionamento do organismo a partir do quinto minuto de sua ingestão até atingir seu pico máximo, 30 a 90 minutos depois, seja no abuso (consumo esporádico), seja na dependência (compulsão que leva à doença, o alcoolismo).

Efeitos imediatos do álcool: sonolência ou agressividade, irritabilidade, agitação, alteração de equilíbrio e marcha, alteração de memória, vômitos, convulsões, coma e até morte. Efeitos tardios: cânceres do sistema digestivo, cirrose, pancreatite alcoólica, perda de sensibilidade em membros inferiores, atrofia do cérebro (alterações de comportamento, convulsões, demência), arritmia cardíaca, impotência sexual, esterilidade e síndrome de abstinência fetal (bebê nasce dependente de álcool, apresentando os sintomas acima). Abortamentos, baixo peso ao nascer e prematuridade, bem como retardos mentais, são freqüentes em filhos de mães alcoólatras. As conseqüências sociais são desajuste familiar, mau rendimento e relacionamento no trabalho, predisposição a acidentes em linhas de produção, falta ou atraso no emprego, suscetibilidade para produzir e sofrer acidentes e violência, assim como ocorrências policiais. Atenção para riscos de ingerir álcool com medicamentos, quando os efeitos colaterais aumentam e os efeitos necessários se alteram.

Ingestões exageradas em uma única vez induz ao alcoolismo com regurgitaçãoEstudos mostram que ingestões exageradas em uma única vez tendem a matar mais que o alcoolismo crônico, seja em festas ou em happy hours, além de induzirem à dependência química. O indivíduo está dependente do álcool a partir do momento em que não consegue mais realizar tarefas diárias sem ingerí-lo, adquirindo-o mesmo quando não pode e sentindo-se mais seguro junto do mesmo. Mulheres e homens têm tolerâncias diferentes ao álcool. Doses médias toleráveis por dia em homens são de até dois drinques, enquanto que em mulheres e idosos é de apenas um, considerando uma dose como 350 ml de cerveja, 150 ml de vinho ou 45 ml de licores e congêneres de alto teor alcoólico. O alcoolismo (dependência) é considerado doença sem cura, porém com controle através de programas multidisciplinares de desintoxicação, medicação, aconselhamentos, psicanálise, acompanhamento psiquiátrico, reforço espiritual, resgate da auto-estima e grupos de ajuda mútua.

Matéria publicada na edição #650 do Jornal Tudo Bem

Publicado originalmente no site do jornal Tudo Bem em 25/11/2005.