Fotos:  Gilberto Yoshinaga/Tudo Bem
Karen (ao centro) e auxiliares brasileiras, Camila Shinya e Camila Nitta (à direita), ajudam o dentista Suzuki (ao fundo)

Gifu - Muitos brasileiros que já foram a clínicas odontológicas japonesas, ou que ainda não falam a língua japonesa, sentem-se carentes quando precisam recorrer a um dentista no arquipélago. Por outro lado, há muitos dentistas brasileiros no Japão, mas eles ainda não possuem o reconhecimento do governo japonês que os permite exercer a profissão. Pensando nisso, dentistas japoneses e brasileiros têm feito parcerias de modo a oferecer atendimento específico para a comunidade brasileira.

Uma boa opção fica em Minokamo, na província de Gifu: a Clínica Dental Ai, que completa três anos de atividade odontológica. A dentista brasileira Karen Tatsumi, de 36 anos de idade, não pode clinicar, mas diagnostica as necessidades dos pacientes e planeja todo o tratamento, que é executado pelo dentista japonês Kouji Suzuki, de 30 anos de idade, que “adotou” técnicas bastante semelhantes às utilizadas no Brasil.

“Vim para o Japão para juntar dinheiro e montar meu próprio consultório, o que consegui realizar após seis anos trabalhando em uma fábrica de autopeças”, conta Karen, que deixou seu consultório no Rio de Janeiro com o irmão e a cunhada, também dentistas, e voltou para o arquipélago. “Percebi essa carência dentro da comunidade brasileira e conseguimos implantar aqui no Japão um serviço odontológico com os mesmos procedimentos realizados no Brasil”, afirma Karen.

“Alguns brasileiros têm dificuldade com o nihongo e outros não gostam do estilo dos dentistas japoneses. Temos pacientes que falam japonês mas preferem fazer tratamento conosco”, frisa a dentista, que diz receber clientes de outras províncias, como Aichi, Mie, Shiga e Nagano, entre outras. Durante os tratamentos, o dentista japonês Suzuki é auxiliado por outras duas brasileiras, Camila Shinya e Camila Nitta, ambas de 17 anos de idade. “Elas ajudam na tradução e procuram deixar os pacientes brasileiros mais à vontade”, acrescenta Karen.

A dentista brasileira faz uma comparação e cita as diferenças entre as técnicas odontológicas do Brasil e do Japão. “No Brasil há mais prevenção e os japoneses só costumam procurar um dentista quando sentem alguma dor. E os dentistas japoneses costumam fazer o que bem entendem, sem consultar se os pacientes consentem com o tratamento que pretendem fazer”, compara. “Também são raros os japoneses que esterilizam o material de trabalho ou utilizam luvas descartáveis, por exemplo, o que é mal visto pelos brasileiros”, declara.

Assustado
“Eu já vi dentistas japoneses em ação e fiquei assustado. No meu modo de ver, eles não são tão higiênicos como os brasileiros, e fazem um tratamento muito rude”, opina Auro Mamoro Nakayama, 37 anos de idade, que atualmente faz tratamento na Clínica Ai.

“Estou no Japão há 13 anos e, quando precisei fazer implantes, fui para o Brasil. Não confio no tratamento da maioria dos dentistas japoneses, mas aqui as técnicas utilizadas são iguais às do Brasil”, confessa Nakayama.

Fazer uma simples consulta com um dentista japonês é algo que os brasileiros preferem adiar, a ter que enfrentar momentos de tensão.
Gilberto Yoshinaga

Matéria publicada na edição #653 do Jornal Tudo Bem

Publicado originalmente no site do jornal Tudo Bem em 10/12/2005.