1210_roberto_hatakeyama.jpgRoberto Hatakeyama, 39 anos, de Hamamatsu (Shizuoka)Há dois anos e meio estou trabalhando na Yutaka, uma fábrica que faz peças para a Honda. É um trabalho feito em pé, pesado, corrido e bastante desgastante. Fico na seção que produz a embreagem do carro, na parte de torno. As peças passam por vários tipos de processos. O torno serve para deixá-las lisas e no formato programado, pois a máquina é computadorizada. Mesmo assim, é preciso ficar sempre tomando as medidas com um paquímetro, porque se as peças tiverem qualquer diferença de tamanho, por mínima que seja, são consideradas defeituosas.

A cota de produção é de 670 peças em oito horas de trabalho. Outro fator que cansa é a distância entre minha casa e a fábrica, cerca de 35 a 40 minutos de carro. Eu trabalho em sistema de nikin (turnos alternados durante o dia a cada duas semanas). Uma vez eu entro às 7h e vou até as 4h. No outro turno, pego às 15h45 até 0h40. Esse horário é bom, mas só recebo o adicional noturno equivalente a duas horas.

Apesar do ritmo puxado, estou acostumado. Afinal, desde que vim ao Japão há 15 anos, sempre fiz esse tipo de serviço em oito empresas. Da primeira vez, cheguei em 1990 e morei aqui até 1997. No meu primeiro emprego, eu ganhava apenas mil ienes por hora, não tinha hora extra e não trabalhava de sábado, então dá para imaginar quanto ganhava por mês… Acho que era por causa da empreiteira, que estava começando no mercado, porque tinha outros funcionários que recebiam mais. Eu estava pagando a passagem, que foi financiada, e depois de quatro meses minha esposa chegaria ao Japão também. Era um serviço pesado: eu pendurava peças, como portas, chassis e capô para receber pintura, e o salário era baixo.

A vantagem daquela época é que tinha muitas vagas. Depois de quatro meses arrumei outro serviço, mas antes fiz um arubaito de uma semana na Panasonic (setor de baterias). Minha esposa (agora exesposa) chegou e fui trabalhar no novo emprego. A fábrica tinha prometido que iria arrumar uma vaga para ela também, mas na época estava meio fraco de serviço e só eu fiquei trabalhando por seis meses. Fui obrigado a sair porque minha esposa ficava em casa. Ela arrumou um emprego na Denso e fui trabalhar na mesma fábrica. Ficamos até 1997, quando retornamos ao Brasil porque ela engravidou. Em 2000, voltei ao Japão e trabalhei em uma fábrica de pensa injetora para fazer recipientes de plástico, mas fiquei pouco tempo. No emprego seguinte, fiquei cerca de dois anos e meio. A linha onde eu trabalhava perdeu a concorrência para outra fábrica e os funcionários foram dispensados. Aí eu consegui o serviço que faço atualmente.

É muito ruim ficar pulando de serviço, mas no meu caso fui obrigado a mudar na maioria das vezes. Pelo menos deu para conhecer muitas pessoas e lugares e ficam as lembranças dos bons momentos. Nos últimos dois meses, o número de horas extras melhorou. Isso depende de cada seção da fábrica. É difícil arrumar um emprego 100% perfeito. Se o serviço é bom, o salário é baixo, ou se o salário é bom, o serviço é ruim.
Depoimento a Claudio Endo