1217_trabalho_depois_01.jpgVamos ser realistas: depois dos 40 anos fica mais difícil arrumar um trabalho no Japão, principalmente no setor de produção industrial. Basta ver os anúncios de emprego. Há ofertas que ainda toleram candidatos com até 45 anos, já que o mercado está aquecido e, às vezes, faltam jovens para ocupar as vagas. Mas a maioria das fábricas dá preferência aos trabalhadores até 35 anos, em função da resistência física, agilidade e boa visão (para os serviços de inspeção de peças, por exemplo).

Apesar das dificuldades, há fábricas que contratam funcionários acima de 45 anos, principalmente como nos setores de alimentação, construção civil, demolição de casas e reciclagem de materiais.

O contigente acima de 40 anos representa cerca de 25% do total de brasileiros no Japão. São mais de 70 mil pessoas que formam um valioso exército que não pode ser desprezado e que tende a crescer ainda mais nos próximos anos.

Quem chegou em 1990 aos 25 anos, hoje já está na faixa dos 40, ou seja, no limite da idade imposta pelas fábricas. Além disso, a presença de brasileiros com 50 ou até 60 anos pode ser explicada pela vinda de famílias inteiras no decorrer do tempo. As mulheres ainda podem cuidar dos netos em casa, desenvolver atividades domésticas e aliviar a correria dos filhos durante a semana. Já os homens preferem – ou precisam – mesmo trabalhar fora.

Desvantagens
Um dos setores que mais absorvem mão-de-obra mais velha é a de bentoyas, onde o salário costuma ser baixo, apesar de haver horas extras com regularidade. Já os serviços da área de construção são sujos, pesados e, às vezes, perigosos. Resumindo: acabam sobrando para os quarentões e cinquentões as vagas que os jovens não querem. Na verdade, isso mostra que quem tem mais idade costuma ser mais dedicado, responsável e esforçado.

Fotos: Claudio EndoEmpresas brasileiras, como a Servipan, contratam pessoas de até 60 anos para trabalhar na fabricação de pães e docesA empreiteira Just One, de Kariya (Aichi), costuma divulgar vagas de trabalho em demolição de casas, com preferência para candidatos de 45 a 55 anos e salário de 1.250 ienes a hora. Segundo a empresa, os jovens não agüentam o serviço e pedem demissão logo. “Não é um trabalho pesado. Temos até funcionários de 60 anos.

Mas no local de demolição costuma levantar muita poeira. ”, informa a Just One.

Jun Murakami, da empreiteira Sigma Feliz, diz que existe muita procura de trabalho por parte das pessoas com 40 ou 50 anos, mas o índice de ocupação de vagas é baixo. Segundo ele, os tipos de serviço disponíveis para essa faixa etária são prensa – com algum risco – e algumas funções mais pesadas nas quais os jovens não conseguem se fixar. “Um setor que não pega de jeito nenhum é o de eletrônicos, por que exige boa coordenação motora e visão para lidar com componentes pequenos”, explica.

A Sigma Feliz estava precisando de dois homens até 50 anos para trabalhar em montagem de painéis para construção de casas, com salário de 9.5 mil ienes por dia mais horas extras, e casais de 40 a 45 anos para uma empresa de aquecedor de água, dando preferência para candidatos com carteira de habilitação e compreensão do idioma japonês.

“Em alguns serviços mais pesados, os trabalhadores de 40 ou 50 anos produzem muito mais que os jovens. Eles são responsáveis e causam menos problemas. Em compensação, sofrem desvantagem nos trabalhos minuciosos”, conta Murakami.

Jenny Takayama, da empreiteira ITC, tam bém acha que os funcionários mais velhos têm muita responsabilida de, principalmente os que contam com família no Japão. “Eles costumam se fixar porque sabem que não vão conseguir encontrar um emprego tão facilmente”, afirma.

Jenny acha que as agências no Brasil deveriam selecionar melhor os candidatos em relação à idade. “Elas sabem que os mais velhos podem ser demitidos facilmente e depois terão dificuldades para encontrar um novo serviço. Mesmo assim continuam mandando”, conta. Jenny informa que uma fábrica de processamento de peixe, até há pouco tempo, contratava pessoas de até 55 anos, mas limitou a idade para 50 em função do rendimento. “Os funcionários nessa idade não conseguem ficar muito tempo em pé e reclamam de dores nas costas”, diz.

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