São Paulo - Estatísticas indicam que cerca de 1% da população tem epilepsia, uma doença caracterizada por crises convulsivas recorrentes que são provocadas por uma descarga elétrica anormal ocorrida no cérebro. O que muitos médicos não sabem é que há um outro transtorno que possui os mesmos sintomas, mas não é desencadeado por essa descarga: a crise não-epiléptica psicogênica (antes chamada de histeria), um problema psicológico de caráter emocional.

Epilepsia
A crise epilética tem como base uma descarga elétrica descontrolada do sistema nervoso central que envolve um determinado grupo de neurônios e causa convulsões. Essa descarga faz com que, às vezes, sinais incorretos sejam enviados a outras células, originando, assim, as crises. Na maioria dos casos, os pacientes apresentam respiração ofegante, salivação intensa, contrações musculares por todo o corpo e mordedura da língua. Muitos chegam a cair no chão.

Estresse
Não se sabe ainda qual é o mecanismo de funcionamento dentro do cérebro que ocasiona o mal, porém o histórico de suas vítimas é parecido: muitos sofreram algum tipo de trauma ou de abuso físico ou sexual na infância. Cerca de 30% das pessoas que são diagnosticadas como epiléticas, na verdade, possuem crises psicogênicas. E, para identificá-las, é necessário o vídeoeeg, um exame que monitora o paciente com eletrodos e câmeras até registrar o momento da crise: se a descarga for registrada é epilepsia, se não, é histeria.

Assim que detectada, a medicação usada no tratamento da epilepsia é suspensa e um acompanhamento psicológico e psiquiátrico torna-se necessário. As causas podem ser muitas, mas o maior destaque vai para o estresse, o grande vilão da vida moderna.

Publicado originalmente no site do jornal Tudo Bem em 09/01/2006.