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É fundamental a mulher procurar um médico quando surgirem os sintomas; tratamento é físico e psíquico

São Paulo - É verdade que a menopausa não pode ser considerada uma doença, pois é apenas um estágio natural na vida da mulher, mas nem por isso ela deve ser deixada de lado. Simplificando, menopausa é o período em que os ovários iniciam o declínio de seu funcionamento, e, conseqüentemente, a mulher pára de menstruar. Pelo conceito clássico, esse processo dura oito meses.

Não existe uma idade pré-determinada para ocorrer a parada da menstruação, mas geralmente isso se dá entre os 45 e 53 anos de idade, devido à diminuição da função ovariana, que nada mais é do que o envelhecimento dos ovários. Pode também acontecer a menopausa cirúrgica, ou por radiação dos ovários, que é chamada de pós-cirúrgica ou pós-radiação.
Para checar se você está passando por essa fase, avalie os sintomas no quadro ao lado. No entanto, eles podem ou não aparecer, dependendo de cada mulher. E há ainda a possibilidade de existirem pacientes que não sintam absolutamente nada.

Tratamento
Ao contrário do que muita gente pensa, a menopausa precisa de tratamento. Isso porque o descuido pode causar sérios problemas, como a osteoporose - doença relacionada à fratura de vértebras pela diminuição de cálcio. Segundo o ginecologista Nelson Shiroshi Taki, da Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, cuidar-se é fundamental. “O tratamento é necessário e consiste “em ver a mulher” como um todo, tratar principalmente a deficiência hormonal, os sintomas de fogachos, prevenir a osteoporose e cuidar da parte emocional”, pontua.

“O tratamento é no sentido holístico, devemos cuidar da mulher que está na menopausa recorrendo à hormonioterapia tradicional, com estrógeno e progesterona. Às vezes, faz-se necessário fitoterapia, acupuntura, homeopatia e até acompanhamento psicológico, além de dieta adequada, mudança na postura de vida e prática de exercícios físicos regulares”.

As vantagens dos hormônios sintéticos, como os estrógenos, é que eles são bastante eficazes e os sintomas melhoram rapidamente. Mas há um problema: se tomados sem controle médico, podem até ocasionar o aparecimento de câncer. Já os fitohormônios agem mais lentamente, e, se ingeridos com a orientação de profissionais, não provocam efeitos colaterais.

Para Taki, não existe um tratamento mais adequado. “O tratamento é diferente para cada mulher, pois toda pessoa tem um histórico, uma essência, uma postura de vida, e vive em sociedades diferentes”. Portanto, é imprescindível o acompanhamento de um especialista.

De acordo com o ginecologista, os produtos naturais são muito indicados, desde os alimentos orgânicos até as drogas fitoterápicas. Muitos estudos a respeito do assunto vêm mostrando bons resultados para a saúde feminina. Um dos fitoterápicos mais utilizados atualmente são os derivados da soja e do trevo (tipo de leguminosa).

Cuidados
Todo medicamento precisa ser administrado sob os cuidados de um especialista, e isso inclui a menopausa. “O médico precisa ficar atento ao receitar qualquer remédio: hormônios como a testoterona, que às vezes são usados sem controle médico, podem provocar aumento de pêlos. Já o estrogênio, em dose e tempo de administração inadequados, é capaz de estimular o aparecimento de câncer de mama e do endométrio. Às vezes, o excesso dessas substâncias, assim como da progesterona, pode engordar ou fazer a pessoa reter líqüidos”.

Para se prevenir e ter uma menopausa com saúde, Taki deixa sua dica. “A melhor maneira de ter uma menstruação sadia e uma menopausa tranqüila é levar uma vida mais saudável, praticando exercícios físicos regularmente, alimentar-se de maneira equilibrada, valorizar a espiritualidade e também ter uma postura de vida correta, com compreensão, simplicidade e muito amor em tudo aquilo que fazemos”, afirma o especialista.

Sintomas
[-] Fogachos (onda de calor)
[-] Pele ressecada
[-] Distúrbios do sono
[-] Diminuição da libido ou “secura vaginal” (casualmente)
[-] Irritabilidade
[-] Dores articulares (casualmente)

Karina Morizono

Matéria publicada na edição #660 do Jornal Tudo Bem

Publicado originalmente no site do jornal Tudo Bem em 02/02/2006.