Tokyo - Em mais um assalto na briga causada pelas polêmicas visitas do primeiro-ministro Junichiro Koizumi ao Santuário Yasukuni – que homenageia criminosos de guerra junto às vítimas da Segunda Guerra Mundial – o ministro do Exterior chinês, Li Zhaoxing, tachou as passagens do premiê japonês pelo templo de “estúpidas” e “imorais”, em entrevista coletiva terça-feira 7. Li citou um oficial alemão não-identificado que teria as comparado a uma eventual homenagem a Hitler por líder alemães – algo impensável no país europeu.

Quarta-feira 8 foi a vez do ministro do Exterior japonês, Taro Aso, protestar à China. Aso disse que os comentários de Li foram inadequados à sua posição, reclamação que foi encaminhada ao embaixador chinês em Tokyo, Wang Yi. As visitas de Koizumi ao santuário têm sido um entrave nas relações diplomáticas entre Japão e China desde outubro do ano passado.

Outro fator de atrito entre as duas nações é a disputa pelo gás natural em uma área do Mar da China Oriental. Durante as últimas reuniões bilaterais em Pequim segunda-feira 6 e terça-feira 7, a China propôs uma exploração conjunta dos recursos naturais em duas áreas, uma delas em torno das ilhas Senkaku – reclamadas por Japão, China e Taiwan. O governo japonês rejeitou a proposta que, segundo o secretário-chefe do Gabinete, Shinzo Abe, “é inaceitável”.

Publicado originalmente no site do jornal Tudo Bem em 12/03/2006.