O Japão tem feito lobby entre os pequenos países participantes da Comissão Internacional Baleeira para obter maioria a seu favor nas instâncias reguladoras da instituição, noticiou o jornal britânico The Independent segunda-feira 17. A nação é um dos maiores partidários da pesca de baleias, banida em todo o mundo em 1986.
Segundo o periódico, o Japão teria gasto quase uma década construindo sua base de apoio pró-pesca dentro do CIB através de significativos pacotes de auxílio financeiro a países como Mali, Mongólia e Guiné - alguns dos quais sequer possuem uma costa marítima. Nos últimos seis anos, a comissão ganhou 26 novos membros, um reflexo da ação japonesa.
Nova Zelândia, Austrália e Grã-Bretanha, três dos maiores opositores do Japão na comissão, acusam o rival de compra de votos e se sentem desarmados porque se recusam a bancar as taxas de associados de outras nações pobres interessadas em integrar a comissão baleeira.
Se os novos aliados dos japoneses, junto com Noruega, Islândia e outros, de fato constituírem uma nova tendência majoritária no conselho regulador, diversas conquistas celebradas por ambientalistas poderão ser derrubadas. Assim, o Japão poderá ver aprovada sua dita pesca científica - considerada injustificada pelo comitê científico da organização - e uma proposta para tornar o voto secreto, impedindo que se rastreiem eventuais compras de votos.
Publicado originalmente no site do jornal Tudo Bem em 28/04/2006.

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