Cada vez mais brasileiros optam pela vida de caminhoneiro no Japão. Além de fugirem da pressão sofrida no ambiente de fábrica, eles visualizam nessa profissão a possibilidade de ampliar seu rendimento mensal. Há, inclusive, quem possua seu próprio caminhão e até consiga gerar novos empregos.Ex-caminhoneiro no Brasil e recentemente habilitado no Japão, Rodrigues procura um emprego

É o caso de Júlio Alberti Kiyan, 37 anos, morador de Toyohashi (Aichi). No Japão desde 1991, ele começou a trabalhar como caminhoneiro há 12 anos. Há seis anos, comprou seu próprio caminhão e, hoje, possui um funcionário japonês que o ajuda com o transporte de automóveis. “Como empregado, eu chegava a tirar de 350 mil ienes a 500 mil ienes por mês”, conta.

“Agora, nos melhores meses, consigo ganhar quase o dobro disso. Mas é um trabalho extremamente desgastante e que chega a me distanciar da família por dias ou semanas”, acrescenta Kiyan, que possui três filhos pequenos.

Kiyan lembra que as responsabilidades aumentaram. “Tenho de manter a documentação do caminhão sempre em ordem e, como o trabalho é cansativo, preciso ter o cuidado de não me distrair ao volante”, lembra. “Mas eu não trocaria o caminhão pela fábrica.”

Também de Toyohashi, Rosalino Fukushima, 40 anos, chegou ao Japão em 1992 e, no ano seguinte, já começou a trabalhar como caminhoneiro. Hoje, possui uma frota de cinco caminhões próprios.

“O rendimento varia conforme a quantidade de serviço e a dedicação ao trabalho. Nos melhores meses, acho que consigo tirar uns 600 mil ienes, mas às vezes chego a trabalhar 15 ou 18 horas em um só dia”, afirma.

“Alguns caminhoneiros trabalham como mensalistas de empresas japonesas. Nesses casos, a média é de 350 mil a 380 mil ienes.”
Fukushima comenta sobre os sacrifícios que a profissão exige.

“Meus filhos já estão crescidos, inclusive dois trabalham com caminhão. Mesmo assim, é difícil ficar mais de dez dias fora de casa em algumas ocasiões”, desabafa.

“Tem gente que acha que caminhoneiro ganha dinheiro fácil, mas é preciso ter muita força de vontade para dar certo nessa profissão. Aqui, não se pode perder tempo e nem fazer corpo mole.”

Habilitado

Ex-caminhoneiro no Brasil, há cerca de três meses César Rodrigues tirou habilitação para guiar veículos de grande porte. Agora, ele procura um emprego em que possa lidar com caminhões.

“Algumas fábricas também exigem a licença para operar empilhadeira porque, nesses casos, o próprio caminhoneiro é que precisa carregar seu caminhão”, conta ele. “Por sorte, consegui a habilitação antes da lei mudar, porque agora ficou mais difícil.”

Publicado originalmente no site do jornal Tudo Bem em 04/07/2007.