
Silvio Sano
escritor, autor de Sonhos Que De Cá Segui.
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A semana do dia 7 de setembro, como sempre, no Brasil, é considerada a Semana da Pátria e, por isso, não foi diferente este ano.
Aconteceram comemorações por todos os estados, mais especificamente, em suas capitais. Até no Japão e nos EUA, houve celebrações e festas, como no Brazilian Day. Razões não faltaram. Não apenas as conceituais, ufanistas, e, portanto, óbvias, como ocorrem em todos os países do mundo.
Mas, o caso brasileiro é diferente (mesmo que alguém queira me provar o contrário). Ao brasileiro, tudo é razão para festa. Tanto que, no ano passado, ou retrasado, ouvi um político até se manifestar em prol de oficializar-se dois carnavais por ano.
Pode? No Brasil, pode. Mas, engraçado, a idéia dele parece que não “vingou”. Nunca mais ouvi falar sobre isso. Agora, que “jogar conversa fora”, “vamos tomar umas” etc. são “tutto cosa nostra”, são. Né, não?
Pois bem, na semana seguinte ocorreu o julgamento do presidente do Senado, Renan Calheiros, num regime estranho a qualquer país desenvolvido e democrático: voto secreto dos parlamentares em sessão igualmente secreta. Pode? No Brasil, pode. Ou seja, o eleitor nunca sabe qual é a postura do político em quem votou e o qual elegeu.
Como se não bastasse, em sessão fechada, secreta, para que o político nem se constranja em mostrar para quem tem o “rabo preso”. Sem contar o escândalo, digno deles, ao cerrarem as portas do plenário. Isso, pós-Semana da Pátria, isto é, na Semana da Pátria “prostrada”.
Mas, o que se tira disso tudo? Que em país de povo festeiro, político é rei. Neste caso, Rei Nan. Hahaha…!? Não, não, isso não é engraçado. Não pode ser engraçado.
Nada contra festas. Muito pelo contrário. Mas, sem alienação. Muitos alegam estar “cansados” de toda essa politicagem e, por isso, preferem se manter afastados dessas questões… mas não das festas. Compreensível.
Mas não aceitável! Talvez por isso não se lembram em quem votaram. Por isso que os políticos se portam como o fazem. E muitos nem mais se constrangem. E por isso não dá para aceitar que os eleitores se mantenham afastados dessas “tais” questões políticas, porque é o mesmo que se deixarem fazer de bobos, de ignorantes (alienados), de palhaços (sem querer ofender os autênticos) por eles. Por isso, inaceitável.
Por isso legislam em causas próprias. Por isso aprovam regimes de votação como esse etc. E, por isso, não podemos fazer mais nada depois! E daí “engenheiros viram sucos” ou entes queridos vão embora do país… não por quererem. E, talvez por isso, não consigo me desfazer dessa bolinha vermelha presa em meu nariz!
Mas, insisto, e persisto… com o meu baldinho d”água frente à floresta se incendiando.

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