Silvio Sano
escritor, autor de Sonhos Que De Cá Segui.

Clique aqui e envie perguntas e dúvidas para o colunista

Outros artigos escritos por Silvio Sano.

Enquanto a festa oficial do centenário da imigração japonesa no Brasil não chega, algumas pessoas, isoladamente, tentam dar suas contribuições dentro de suas possibilidades. Por se tratar de assunto específico, a maioria costuma ter alguma afinidade étnica, mas, alguns, o fazem pelo vínculo com seus trabalhos. Há também exceções.

Uma delas é a cantora nipônica Mariko Nakahira, pouco conhecida da grande mídia, mas não de uma certa faixa etária da população japonesa. Por isso, ainda faz shows por todo o país. A razão de não ser badalada na mídia é devido a um acidente que sofreu na juventude, poucos meses após ter feito a gravação de seu primeiro disco, aos 17 anos, que a afastou dos palcos e da TV.

Antes disso, porém, já tinha vencido dois concursos nacionais de duas das maiores emissoras de TV daquele país. Muitos dos famosos atuais venceram, ao menos, um desses dois concursos. Hoje, também dá aulas de karaokê. Mas o que ela tem a ver com o Brasil ou com a imigração japonesa?

Esse vínculo ocorreu de maneira acidental, por um conhecido dela, que garantiu que sua música agradaria muito os nikkeis de lá, principalmente os idosos. Interessou-se. Isso ocorreu há 4 anos, quando resolveu ir, pela primeira vez, ao Brasil. Depois de alguns shows em nosso país, passou a ser convidada a outros, com recepções sempre calorosas. Sensibilizou-se.

Retornou no ano seguinte, depois no outro e, finalmente, neste, com a agenda totalmente lotada. E não se pode esquecer que tem ido ao Brasil por conta própria. Os shows, lá, eram trocados apenas por transporte e estadia. E ela adorava.

No ano passado, tendo o conhecimento de um concurso para o hino do centenário, resolveu participar, como forma de gratidão aos nikkeis brasileiros. Compôs música e letra lindas! “Ayumi tsuzuketa 100 nen”. Ficou em segundo, perdendo apenas para um conhecido maestro japonês que está no Brasil. Combinamos que eu faria a versão de sua música, pelo olhar brasileiro, mas dentro do mesmo conceito original: 1ª parte: razão da emigração; 2ª parte: vinda e conquistas; 3ª parte: preservação de raízes e exemplo às novas gerações. Taí:

Pra voltar a ser feliz
Um sino tocou, a sorte anunciou
Uma porta se abriu com destino: Brasil
Pra sorrir, e pra voltar a ser feliz!
O difícil foi decidir: pra viver… ou sobreviver
Separar-se do Japão, foi há 100 anos.
E o tempo passou, desde que aqui chegou
No começo aprendiz, depois, criou raiz
Pra sorrir, e pra voltar a ser feliz!
Tudo, tudo que aprendeu de seus pais, na terra natal
Adotou-o aqui, como regra, desde 100 anos atrás.
Apesar da opção, não se esquece do Japão
Mas aqui fez novo lar, para a vida retomar
Pra sorrir, e pra voltar a ser feliz!
Cada fardo que carregou, em sorriso o transformou
Como exemplo para todos, mesmo 100 anos depois.