
Silvio Sano
escritor, autor de Sonhos Que De Cá Segui.
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Como encerrei minha última coluna citando o humorista Zé Simão e o nosso “País da Piada Pronta”, vou recomeçar pelo próprio País e por chavões vinculados ao nosso dia-a-dia, que é o que nos interessa. São chavões que carimbam e consolidam o título conferido ao Brasil por Zé Simão.
Por exemplo, está ainda quente em nossas memórias o episódio em que nossa ministra do Turismo soltou, em momento mais do que inadequado, durante o “apagão aéreo” no Brasil, a frase: “Relaxa e goza”. E, como não podia deixar de ser, recebeu uma saraivada de críticas e gozações por todo o território nacional. Depois, tentou explicar o inexplicável.
Muito antes, outro personagem folclórico de nossa política nacional veio com aquela: “Estupra, mas não mata!” Sem contar o “rouba, mas faz!”. A sorte dele é que ainda não vivíamos no mundo globalizado, tão agilizado pela internet como agora. Por isso, ainda prestigiado pelo fanático eleitorado que criou, foi eleito, novamente, mesmo com processos com evidentes provas, contra ele, de desvio do dinheiro público.
E lá atrás, bem atrás, a “lei de Gérson”, daquele excepcional jogador de futebol (campeão do mundo de 1970) que difundiu, como ninguém, a ética de se “levar vantagem em tudo, certo!” Naquela época, nem nos passava pela cabeça a agilidade da comunicação pela internet de hoje. Mesmo assim, a mensagem se alastrou por todo o País com espantosa velocidade e firmeza que até se impregnou em nossas mentes, como se fizesse parte de nossa própria personalidade.
Mas, por que, de repente, esse assunto? Por que alguns conterrâneos, revoltados por terem de vir ao Japão, o que é compreensível, preferiram abortar vários ideais que defendiam no Brasil. Lógico que não sou favorável a nenhum dos chavões citados, mas o da Marta, sem ser literal, poderia ser pensado da seguinte maneira: “já que aqui estou, que minha estada seja boa”. Exemplificarei-o comigo mesmo. Sou arquiteto, mas, independentemente da razão, tive de vir ao Japão contra a minha vontade. No fim, acabei escrevendo um livro, sobre a nossa saga dekassegui e, hoje, converso com os conterrâneos, por esta coluna.
Aquele primeiro chavão do Maluf, segue essa mesma linha, mas o segundo, poderia servir àqueles que consideram estar pervertendo seu ideal profissional ao trabalhar em uma fábrica. Não é verdade, mas se assim o acham, que tal buscar “fazer” o pé-demeia logo, a fim de retornar ao país e às suas profissões? E a “lei de Gérson” poderia ser: “já que agora posso, neste país desenvolvido, investirei em mim mesmo, antes de retornar ao Brasil… ou mesmo se não retornar mais”! Já é uma vantagem. Certo?

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