Silvio Sano
escritor, autor de Sonhos Que De Cá Segui.

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Logo após a Fifa anunciar que a Copa do Mundo de Futebol de 2014 seria no Brasil, a mídia brasileira, imediatamente, também o fez. Mas não tão festivamente quanto a “comitiva brasileira da alegria” que estava ali presente, com todos querendo sair na foto para a posteridade. Inimigos políticos, lado a lado; o escritor Paulo Coelho, com uma estranha comparação entre futebol e sexo; e Romário, novo queridinho de Ricardo Teixeira e, anote aí, brevemente, mais um dos auxiliares de Dunga. Só faltou Pelé, independentemente das simpatias, muito mais adequado ao momento do que muito “gavião” ali presente.

E por que nem mesmo a mídia esportiva foi tão festiva assim? Alguns poderiam refutar lembrando-me de que grandes manchetes apareceram, sim, nas páginas esportivas e até no principal dos grandes jornais do Brasil… mas só durante um dia após o fato. Sim, apenas no dia seguinte. Daí em diante, o marasmo, nem opiniões contra nem a favor. Pouca polêmica. Aliás, só a vi nas seções de cartas de jornais e revistas, de leitores, muitas vezes, leigos no assunto futebol, mas não em suas conseqüências.

Qual seria a razão? Seria porque os jornalistas, para garantirem seus empregos, estariam com medo de contrariar a vontade do povo, que quer a Copa no Brasil? É certo que a voz do povo não está nessas seções de cartas, composta por cidadãos pouco mais privilegiados, mas as opiniões, lá, principalmente as contrárias, tinham, sim, muita consistência e fundamento, exatamente pela preocupação com o bem-estar do povo.

E eu também começo afirmando que não sou nem contra nem a favor de a Copa de 2014 se realizar no Brasil. Por que afirmo isso? Porque, pela comitiva ali presente, na Fifa, e pelo que está por trás disso, tudo indica que os personagens, na ilustração desta página, com certeza ainda existirão em 2014.

E, com certeza, em maior número e, talvez até, em piores condições. Ou seja, sou contra enquanto outras prioridades no País não forem sanadas. E sou a favor, tendo essas adversidades superadas, porque pela própria determinação da Fifa de que seria a vez de um país do continente americano e aqui, abaixo da linha do Equador, com exceção do Brasil, não há um país sequer em condições de realizá- la. Por isso, sem concorrentes, fomos escolhidos por WO… e porque já temos uma infra-estrutura de bons estádios, apesar de as 3 refeições por dia ainda estarem muito longe de se tornar realidade.

Assim, como já está determinado, mas não garantido pela Fifa, podemos torcer, sim, para que isso se concretize, mas não festivamente, porque nada há a festejar enquanto perdurar essa situação de injustiça social que provoca até movimentos emigratórios forçados e não saídas espontâneas do país para auto-educação ou mesmo auto-riqueza.