
Silvio Sano
escritor, autor de Sonhos Que De Cá Segui.
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Como afirmei no primeiro artigo do ano, queiram ou não, o “assunto do momento”, até junho, é, e será, o Centenário da Imigração. O centenário está mesmo em alta.
Por exemplo, o “assunto do momento” de verdade, no Brasil, é o Carnaval. E, nesse evento, que tema estará presente? Pois é: o Centenário da Imigração Japonesa no país! E olha, em grupos especiais dos principais carnavais do país, heim! Em São Paulo, a escola Unidos da Vila Maria traz o enredo “Irashaimase, milênios de cultura e sabedoria no Centenário da Imigração Japonesa”. No Rio de Janeiro, a Unidos do Porto da Pedra, de São Gonçalo, traz “Tem pagode no Maru! 100 anos de imigração japonesa”.
Em Santa Catarina, o centenário vem de Copa Lord; no Amazonas, com o Grêmio Sem Compromisso, de Manaus; no Mato Grosso, com as escolas Igrejinha e Vila Carvalho (a comunidade do Paraná preferiu desfilar “em peso” pela Unidos do Porto da Pedra, no Rio).
O mesmo acontece em cidades do interior de São Paulo, como Itu, Itanhaém, São José dos Campos, Bragança Paulista, Pirituba. O centenário é tema para desfiles das escolas em Mogi das Cruzes, Iguape, etc, etc. Melhor colocar “etcetera” não apenas para não cometer injustiça, mas, simplesmente, porque é verdade. Nessa festa que ocorre em todo o território nacional, nas cidades onde a comunidade tem presença marcante, com certeza o tema estará sendo abordado.
Até a comunidade okinawana aparece de forma especial, como tema enredo da escola Prova de Fogo (grupo de acesso de São Paulo) com “Prova de Fogo é Okinawa neste Carnaval”. Os participantes estão animadíssimos e, em vista disso, a escola otimista.
Basicamente, essas escolas apresentarão o histórico da imigração com suas alas ocupando da melhor forma possível todos os espaços dos sambódromos ou avenidas nesses dias.
A Unidos de Vila Maria começará seu enredo desde a saída do Japão, enquanto a Unidos do Porto da Pedra se estenderá até o “boom” dekassegui. Santa Catarina, porém, traz algo excepcional, porque fará referência aos seus primeiros japoneses, que pisaram em solo brasileiro em 1803, por aquele estado. A escola trará o enredo “Matsuri em Sankaterini”, em que este último verbete expressa o que escreveram aqueles japoneses, em seus manuscritos, referindo-se à Ilha de Santa Catarina.
Mas o principal significado de tudo isso não é apenas a merecida homenagem à comunidade japonesa, que muito contribuiu para a “ordem e progresso” da Nação nesses cem anos. É, antes de tudo, o “furimuke” (olhar para trás) no momento certo. Com muita animação, vamos sair para a farra, sim, mas olhando para trás e refletindo sobre a razão de tantas homenagens vindas de fora, simultaneamente e em locais tão distantes e diferentes.
São provas de que as merecemos, sim. E todas! Mas também, uma sinalização ao nosso íntimo: de que, daqui pra frente, é preciso manter correspondência com essas homenagens.

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