
Nelson Tanuma
Consultor, palestrante e escritor, especialista em desenvolvimento do potencial humano. Foi dekassegui em 1993.
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Onde quer que nos encontremos, seja em uma grande metrópole ou nas cavernas, viver é passar pelos mesmos estágios, da infância à maturidade sexual, da dependência à responsabilidade. O casamento, a decadência física, e a perda gradual das capacidades até a morte: esses foram os desígnios de nossos antepassados e certamente serão os nossos.
Quando crianças, nos identificamos com super-heróis fictícios, pelos quais alimentamos simpatia e afinidade por algum motivo. Saímos pela vida procurando alguém que possa encarnar essas personagens. Muitas vezes, porém, nos deparamos com verdadeiros heróis que passam despercebidos, embora sejam eles as pessoas que fazem diferença em nossas vidas.
Quando pesquiso a vida de grandes pessoas, quem seriam os heróis que fizeram verdadeira diferença na trajetória delas, invariavelmente obtenho como resposta o nome da mãe, pai, avô, avó, irmão, irmã ou algum ente querido, que tiveram interação afetiva e positiva na vida deles, especialmente na infância. Raras vezes ouço o nome de algum cantor, ator, esportista, cientista ou de qualquer pessoa famosa. Os verdadeiros heróis são pessoas, de carne e osso, que cuidaram de nós, que se preocupam conosco, e que estão presentes em nossas vidas nos bons e maus momentos. São os verdadeiros amigos, sejam eles consangüíneos ou não, são aqueles que catalisam os pontos altos de nossas vidas.
São pessoas normais que, por méritos próprios, tornam-se nossos referenciais de virtude, caráter e valores éticos e morais.
Eu tenho como heroína a figura da minha mãe, a senhora Ko Tanuma, hoje com 88 anos de idade, que é meu exemplo de vida. Ela, que não chega a um metro e meio, e pesa menos que 50 quilos, superou a distância de todos os seus familiares, quando abandonou a vida modesta e humilde, porém tranqüila, que tinha na cidade de Kiryu, província de Gunma no Japão. Aos 21 anos veio para o Brasil, na condição de imigrante, para casar-se com meu pai. Ela superou a dificuldade de ter de se comunicar em uma língua estranha, bem longe do seio da sua família.
Criou e educou oito filhos, trabalhando duro, sol a sol na lavoura, e durante mais de dez anos de sua vida, trabalhou como vendedora ambulante, carregando uma sacola em cada mão, indo de porta em porta para vender ovos e verduras. Viveu durante grande parte da vida em casa de madeira, sem piso, sem energia elétrica, sem água encanada, em que, no lugar de banheiro, havia um buraco cercado de madeira onde todos nós fazíamos nossas necessidades fisiológicas.
Foi agricultora, feirante, costureira. Freqüentou e concluiu o curso de alfabetização do ensino fundamental no Brasil, já com quase 70 anos, e nunca se deixou abalar pelas vicissitudes da vida. Ela me educou com amor e carinho e sempre me incentivou a estudar, embora a vida não tenha oferecido muitas oportunidades para ela. Até hoje zela, como se fosse seu filho, por um de seus netos, chamado Rene, que tem 27 anos e sofreu paralisia cerebral por complicações do parto. É realmente um ser humano fantástico, a quem eu presto minhas homenagens e reverenciarei como minha eterna heroína.
E esta homenagem se estende a todos os heróis imigrantes que vieram para o Brasil, e que contribuíram de forma significativa para o desenvolvimento econômico e social do País.

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