Brasileiros se beneficiam com o fácil acesso aos planos de financiamento para comprar carros

Por causa do preço do combustível, que ultimamente sofreu um aumento considerável, os modelos econômicos, como os de placa amarela (kei jidousha), estão sendo bastante procurados pelos clientes que têm família pequena. Mas não é somente a questão da gasolina. O imposto e o shaken (licença obrigatória) são bem mais baratos em relação aos carros de placa branca. Já as wagons fazem sucesso entre pessoas que gostam de espaço ou necessitam transportar muita gente. Entre os jovens, a preferência pelos modelos esportivos continua a mesma – Skyline 34, Sylvia ou Mark II. Há três anos, quando entrei no mercado de carros usados, os brasileiros compravam carros mais baratos, quer dizer, mais rodados. Com o passar do tempo, eles passaram a comprar modelos mais novos – no máximo de 10 anos atrás – para que o carro não fique dando problema a toda hora, forçando a troca constante. Os jovens também gostam de equipamentos como roda e saia, mas não fazem muita questão de acessórios internos como navegadores e anti-radares. Isso eles podem instalar depois, escolhendo o modelo que desejar.
Jorge Tsuneo Matsuda Júnior, 28 anos, da Karanga”s Garage de Hamamatsu (Shizuoka)

O fácil acesso aos planos de financiamento, mesmo para estrangeiros, têm facilitado a vida de quem sempre sonhou em comprar um carro zero quilômetro, ou pelo menos um semi-novo. A grande maioria das agências brasileiras de veículos usados oferece parcelamento próprio ou então vinculado a alguma financiadora japonesa. Se a opção for comprar um carro zero, restam as concessionárias autorizadas.

Cada agência brasileira tem um procedimento diferente de parcelamento, de acordo com a financiadora japonesa com a qual tem parceria. Uma delas, de Hamamatsu (Shizuoka), exige que o comprador tenha visto permanente e apresente documentos como gensen (comprovante de renda anual), gaijin touroku atualizado, carteira de habilitação e caderneta bancária (para que as parcelas sejam debitadas diretamente da conta). É preciso ainda ter telefone residencial, estabilidade no trabalho e, de preferência, morar em um mesmo endereço por bastante tempo.

Se o valor a ser parcelado ficar superior a 500 ou 600 mil ienes, é necessário apresentar um fiador, que também pode ser brasileiro com visto permanente. Porém, não há a exigência do pagamento de uma entrada. O financiamento sai somente depois de uma verificação sobre a não existência de pagamentos pendentes do comprador, mesmo sendo de outras instituições financeiras.

Em uma outra agência, onde 95% dos pedidos de financiamento são aprovados, o trâmite é mais simples. O cliente não precisa ter visto permanente, mas deve comprovar que está empregado. Se o valor ultrapassar um milhão de ienes, há casos em que a financiadora japonesa pede dois fiadores com visto permanente.

Os financiamentos próprios das agências são ainda menos complicados. Em uma concessionária brasileira, basta apresentar uma cópia do gaijin touroku e da carteira de habilitação – veículos não podem ser vendidos a pessoas que não tenham licença para dirigir. Mas, em compensação, a agência solicita o pagamento da metade do valor do carro como entrada e parcela o restante.

Tipos de financiamento
Fabricantes como a Toyata e a Nissan, entre outras, oferecem vários planos de financiamento próprio. A vantagem é que todos os trâmites são feitos na própria concessionária e a aprovação pode sair na hora. Cada agência tem exigências diferentes em relação a clientes estrangeiros. No geral, elas pedem visto permanente, carteira de habilitação, comprovante de renda ou de trabalho e fiador japonês ou estrangeiro.

Por exemplo, um Estima Aeras 3.5, da Toyota, sai por 3,25 milhões de ienes à vista, na agência, com entrada de 300 mil ienes.

Um dos planos mais procurados atualmente, é o chamado zanka – tipo de financiamento parcial que deixa um grande valor para a última parcela. O comprador tem duas opções quando o financiamento acaba: trocar de carro por um outro novo (nesse caso a última parcela não precisa ser paga) ou quitar o restante e ficar definitivamente com o veículo.

Um exemplo de zanka (com juros anuais de 3,9%, sem bônus), em 36 vezes, sairá por 57.607 ienes a primeira parcela, 54,3 mil por mês e a última parcela por 1.302.000. O total será de 3.505.807 ienes.

Publicado originalmente no site do jornal Tudo Bem em 26/03/2008.