
Leila Navarro
Escritora e palestrante motivacional e comportamental, é ganhadora do prêmio Top of Mind de melhor palestrante do ano.
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Aproveitando a proximidade do dia das mães, abordarei a questão da mulher no trabalho.
Garotas boazinhas não chegam lá. Esse é o título original do livro de Lois P. Frankel, psicoterapeuta, que enumera os 101 erros inconscientes que as mulheres cometem no ambiente de trabalho. Deparei-me com o livro nos Estados Unidos e trouxe para o Brasil, para que publicassem aqui. Foi lançado no Brasil pela Editora Gente, com o título Mulheres Ousadas Chegam Mais Longe – 101 Erros que atrapalham a sua carreira e fui convidada para escrever o prefácio. Ao ler o livro, constatei que as empresas modernas valorizam cada vez mais o espírito cooperativo, a flexibilidade, a percepção das necessidades dos outros, a capacidade de agregar pessoas e o uso da intuição. Essas características são parte do “jeito feminino de ser”.
Teoricamente, elas deveriam favorecer a ascensão feminina no trabalho, pois exercitamos mais naturalmente aquilo que a maioria dos homens tem de desenvolver para se adequar à nova realidade do mundo corporativo.
Apesar disso, o que se vê na prática é que ainda poucas ocupam cargos de direção nas empresas e que nossos salários são menores que os dos homens, ainda que as qualificações e experiências das mulheres sejam equiparáveis às deles. E por que isso acontece? Por favor, não vá me dizer que é tudo culpa do “preconceito machista”. Ainda que ele realmente (e infelizmente) exista, não pode ser apontado como o único responsável para o fato de termos menos sucesso. A raiz do problema não está na sociedade, mas nas próprias mulheres.
São típicos da mulher certos comportamentos que atrapalham muito a ascensão na carreira, o que dá a impressão de que ela é boazinha demais – e garotas boazinhas, com certeza, não chegam lá. O livro enumera 101 erros que dificultam o acesso das mulheres aos postos de direção das empresas. Na verdade, são comportamentos, tanto da natureza feminina quanto aprendidos socialmente. Alguns deles: trabalhar demais; fazer o trabalho dos outros; ser ingênua; calar-se; esperar que lhe dêem o que você quer; proteger os tolos; pedir uma opinião a todo mundo antes de tomar uma decisão; falar muito de coisas pessoais; ter sempre medo de ofender os outros; negar a importância do dinheiro; decorar o escritório como se fosse a sua casa; ter um aperto de mão frouxo; ser solícita demais; assumir todas as responsabilidades; ver no chefe uma figura paterna; ser modesta; deixar que roubem suas idéias; desculpar-se demais; negar sua força.
O que me chama atenção no trabalho de Lois P. Frankel é o modo como ela faz as leitoras tomarem consciência tanto de suas atitudes como da cultura da empresa em que trabalham, de modo que aprendam a se adequar a qualquer tipo de ambiente. Outro ponto muito positivo da obra é que ela não impõe regras comportamentais, mas permite que as leitoras apliquem aquilo que tem a ver com sua personalidade.
A mulher tem de ter a consciência de que ser poderosa não significa abrir mão das características femininas, mas saber quando e em que medida utilizá-las. Ser poderosa é compreender as regras do jogo corporativo e saber se posicionar, é criar condições para o próprio crescimento, é exercer uma liderança participativa, porém segura, direcionada, motivadora e criadora de fortes vínculos entre as pessoas.
O velho “preconceito machista” não tem chances em um mundo de mulheres que conhecem o seu valor e se empenham em conquistar o merecido espaço.


