
Nelson Tanuma
Consultor, palestrante e escritor, especialista em desenvolvimento do potencial humano. Foi dekassegui em 1993.
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Lembro-me de que em 1992, como de costume, o “espírito empreendedor” havia tomado conta de mim e resolvi aprender um pouco sobre o mercado de pedras semipreciosas (ametistas, esmeraldas, turmalinas, entre outras).
Por diversas vezes, fui procurar informações com um senhor chamado Furusho, lapidador de pedras, que tinha uma oficina no bairro da Liberdade, na capital de São Paulo. Cheguei a ler alguns livros sobre o assunto e aprendi algumas coisas. Cheguei a ir à sede da Associação Brasileira de Gemologia, onde vi um quadro, tipo pôster, fixado na parede, que dizia o seguinte:
“Conte com contas de cristais as pedras que encontrares em teu caminho. Sinta-as: preciosas, brilhantes e lapidadas. Uma pedra não é só uma pedra. Seguidas de outras, é um CAMINHO…”
O “espírito empreendedor” de comerciante de pedras semipreciosas me abandonou tão logo percebi que era um mercado muito complexo, que exigia altos investimentos e que envolvia altíssimo risco; assim, prematuramente, abandonei a idéia de tornar-me um empresário do ramo. Porém, a mensagem contida naquela frase guardei comigo, como algo de valor. Hoje, faço uma analogia da frase acima citada, com o pensamento da poetisa Adélia Prado que segue abaixo:
“Deus de vez em quando me castiga. Me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra. Mas o certo não é ver a pedra quando pedra é o que há? Se olho para uma pedra e vejo outra coisa é porque meus olhos estão perturbados. Pois é isso mesmo que a poesia faz: a gente olha para a pedra e vê uma outra coisa que não está lá. Isso que a gente vê na pedra não está na pedra, está dentro da gente, na alma. Para os poetas o mundo é um espelho de mil faces em que a alma se contempla. Daí a felicidade narcísica da poesia… A poesia é uma alteração da percepção visual. Chego a temer que, algum dia, ela venha a ser classificada como droga alucinógena…”
Percebo que existe, embora pareça paradoxal, relações bem próximas entre a pedra, a poesia e os princípios e valores. Nós, seres humanos, nascemos como diamantes em estado bruto e podemos ser lapidados pela vida. Nosso valor dependerá do que formos capazes de manifestar por meio de atos de amor, do investimento em autoconhecimento, educação e qualidade de vida, bem como atos concretos em prol da sociedade em que vivemos.
Conta-se que um transeunte perguntou a um pedreiro que trabalhava na construção de uma catedral, em um país da Europa, o que ele estava fazendo ao empilhar pedra sobre pedra. E este respondeu: “Estou trabalhando na construção de uma parede de pedras”; num outro dia, esse mesmo passante encontrou outro pedreiro trabalhando no mesmo local e perguntou o que ele fazia lá, e ficou surpreso com a resposta, que foi a seguinte: “Estou trabalhando na construção de uma obra de arte, que será a maior e mais linda catedral da Europa!”. Percebemos a grande diferença de percepção; a motivação interna. Dizem que os olhos são o espelho da alma, por isso penso que sempre vale a pena correr atrás dos nossos sonhos quando nossa alma não é pequena e temos sonhos grandiosos.
Tudo depende dos olhos de quem vê. Cada vez mais, me convenço de que a porta de entrada para uma vida mais digna, valorosa e feliz, assim como a beleza, é a percepção da mente de cada um.

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