“Eu namoro a Jéssica há um ano e oito meses. Fui apresentado a ela através de uma amiga que temos em comum, em São Paulo (SP). Vim ao Japão pela primeira vez em fevereiro deste ano e mesmo assim decidimos continuar o relacionamento. Na verdade, quando começamos o namoro sabíamos que eu poderia me mudar para o Japão, mas mesmo nessa época não tínhamos intenção de terminar. Nos curtimos bastante nos últimos dias antes da viagem, fazendo passeios e ficando juntos. A despedida foi bastante triste porque ela foi até o aeroporto. Apesar de eu estar sempre em contato com a Jéssica por telefone ou internet, não é a mesma coisa que estar ao seu lado e a saudade é um pouco dolorosa. Ela sempre pede para eu voltar logo e tenho planos de fazer isso no ano que vem”
Rafael Rocha Takayama, 18 anos, de Hamamatsu (Shizuoka)
A idéia, ou necessidade, de se mudar para o Japão faz com que muitos casais de namorados terminem o relacionamento quando um dos dois fica no Brasil. Porém, não são raros os casos de nikkeis que, mesmo sabendo não haver a possibilidade de se encontrar sempre que a saudade aperta o coração, decidem enfrentar a distância em nome do amor. Esses casais provam que o namoro à distância pode durar bem mais do que um relacionamento comum, ao contrário do que muitos pensam a respeito.
Um dos segredos para manter o namoro é a comunicação. Com o avanço tecnológico, hoje os casais podem se comunicar a baixo custo através da internet, utilizando mensageiros instantâneos como o Messenger, da Microsoft, que conta com recursos de áudio e imagem por web câmera. O contato permanente, mesmo à distância, pode aprofundar o vínculo , levando os dois a manterem um pacto de fidelidade. O namorado ou namorada precisa sempre lembrar que um está longe do outro fisicamente, mas presente emocionalmente. A forma mais eficaz de conservar a chama acesa é manter a conexão através dos inúmeros meios disponíveis de comunicação.
Nas conversas, uma dica é não se limitar a declarações de amor. Contar detalhes íntimos e interessantes do cotidiano e tratar a pessoa como se estivesse bem perto são importantes. Preparar surpresas também não é nada mal. É possível fazer isso através de e-mails bem-humorados, algumas poesias românticas e ainda enviar presentes do Japão ou por meio de sites especializados no Brasil. Quando a saudade apertar, não adianta ficar em casa na “fossa”. Uma saída é se preocupar com a própria vida, fazendo novas amizades, praticando esportes e se inscrevendo em cursos.
Ciúme
Um namoro à distância pode não durar muito quando há ciúmes. Essa palavra é a pior inimiga de um casal que quer estabelecer uma relação onde o vínculo mais firme deve ser a confiança. A outra pessoa deve ter liberdade para ter seus próprios amigos sem que haja desconfianças, já que cada um vai levar sua própria vida onde quer que esteja.
Muitos casais, quando começam a namorar, excluem-se do mundo e perdem boa parte amigos, mas em um relacionamento à distância, isso é mais difícil de acontecer devido à ausência da pessoa amada.
Também não é bom cobrar do parceiro algumas atitudes, como a de ligar logo após chegar do trabalho, ou depois de sair com os amigos. É melhor tentar mostrar que o que realmente importa é manter o contato e não fazer nenhum tipo de controle. A insegurança é outra palavra que não pode existir no dicionário das pessoas que mantêm um relacionamento à distância.

“Há três anos, fui para o Brasil, conheci a Viviane na cidade de Iporanga (SP) e começamos a namorar. Voltei para cá, mas continuamos juntos e, desde então, todo ano eu passo uns dois ou três meses no Brasil para matar as saudades. Enquanto estou aqui no Japão, nós usamos o telefone e a internet para nos comunicarmos. Telefono para ela duas vezes por dia, de manhã e à noite, e também uso bastante o Orkut, o MSN e o e-mail para namorar. Por enquanto, ela está estudando e, depois da formatura, pretendo trazê-la para cá, para passarmos uns dois anos juntos no Japão. É um pouco difícil suportar esta distância, mas é um sacrifício temporário que coloca nosso amor à prova. O importante é que o sentimento continua cada vez mais forte. Em datas especiais, como Páscoa, Natal e Ano Novo, sempre costumo fazer alguma surpresa para ela. No último aniversário dela, por exemplo, mandei entregar um bolo em sua casa”
Eduardo Nakanishi Martins, 37 anos, de Yokkaichi (Mie)
Publicado originalmente no site do jornal Tudo Bem em 08/06/2008.

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