
Leila Navarro
Escritora e palestrante motivacional e comportamental, é ganhadora do prêmio Top of Mind de melhor palestrante do ano.
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Sempre sustentei que o empresário moderno tem de ser um pouco futurólogo, mas o que vi outro dia me surpreendeu. Convidada para falar no evento de uma empresa multinacional, eu assistia ao discurso de abertura do encontro, feito pelo presidente da organização. Assim, ele começou sua palestra: “Fui até o futuro e voltei, por isso posso dizer com segurança o que vai acontecer.”
Fiquei impressionada com a apresentação. Ele disse que, depois de ter instalado com sucesso filiais em países da Europa, na Índia e na Austrália, era capaz de prever os desafios da implantação da empresa no Brasil. Fez um paralelo da situação de outros países com o Brasil, e mostrou para onde o País caminhava. Deu um show de futurologia.
O fato é que as grandes empresas, cada vez mais, estão interessadas em saber para onde as coisas estão caminhando. Não é para menos: num mundo que parece girar mais rápido a cada dia, e onde as transformações são constantes, é preciso criar estratégias com os olhos no futuro. É preciso semear hoje os frutos que o mercado desejará amanhã.
Por conta dessa necessidade de antecipação, novas profissões estão surgindo. Uma delas é a do caçador de tendências ou cool hunter, que analisa os setores afins com a atividade da empresa – bens de consumo, design, tecnologia de ponta ou publicidade, por exemplo – e indica prováveis necessidades futuras dos consumidores. O perfil ideal do cool hunter é uma pessoa naturalmente inquieta, que tem interesse em fenômenos sociais e formação nas áreas de antropologia, sociologia, psicologia ou mesmo artes.
Como freqüentemente a visão de futuro das empresas aponta para outros países, elas precisam do trabalho do gestor de integração. A função dele é cuidar do lado humano dos processos de fusão, aquisição ou incorporação. Tem a missão de facilitar a integração de culturas e pessoas, auxiliando os funcionários que chegam, os que saem e os que são transferidos a lidar com mudanças de realidade.
Outra profissão alinhada com o futuro é a do especialista em responsabilidade social corporativa. Cada vez mais, as empresas precisam promover o desenvolvimento sustentável na região em que estão instaladas, e é esse profissional que gerencia políticas voltadas à comunidade e ao ambiente.
Essas são só algumas das profissões que estão surgindo para impulsionar o desenvolvimento das empresas e da sociedade. São profissões do futuro. Segundo uma pesquisa da agência de empregos Catho, 54% das contratações que acontecem hoje no Brasil por seu intermédio são para cargos que não existiam. Suspeito que dificilmente as organizações encontram profissionais com experiência anterior nessas funções, porque são muito novas. Com isso, o que conta é a inteligência de adaptação das pessoas, sua coragem e ousadia para enfrentar novos desafios. O que conta, no fim das contas, é que todos nós precisamos ser um pouco futurólogos e estar “antenados” com os rumos da humanidade.

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