Roberto Shinyashiki
Psiquiatra, palestrante e autor de 13 títulos, entre eles Os Segredos dos Campeões, Tudo ou Nada e Heróis de Verdade.

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Você já ouviu a opinião de muitos autores a respeito da importância de seguir o seu coração. Eles têm razão: um caminho que não fale ao seu coração não alimentará a sua alma; e uma pessoa sem alma é um ser perdido no oceano da vida. A exploração do nosso mundo interior ajuda a nos conhecer melhor e a construir uma vida que tenha sentido. Fico triste quando converso com pessoas ricas que confessam: é horrível ver que batalhei e consegui tantas coisas, mas não sou feliz.
É importante escutar a nós mesmos o tempo todo, para saber se estamos realizando objetivos que nascem do coração. Só assim teremos certeza de que, no fim da vida, não nos arrependeremos.

Mas como conhecer minha alma? Como escutar meu coração? Bem, a primeira dica é: faça a pergunta certa. Quando você faz a pergunta errada, o seu coração vai para longe. Quer um exemplo de pergunta errada? Suponha que o seu chefe foi duro com você e apontou vários problemas de desempenho no seu trabalho. Se você perguntar a si mesmo: “Por que meu chefe está me sacaneando?”, não vai encontrar uma resposta que lhe ajude a crescer.

Sentir-se vítima do seu chefe, em vez de analisar o próprio trabalho, vai deixar você distante da resposta que lhe interessa. Nesse momento o melhor é olhar para dentro de si, verificar em quais pontos o seu chefe tem razão, analisar suas atitudes e tentar melhorar o seu desempenho.

Seu namorado terminou o relacionamento com você. Em vez de perguntar por que ele a sacaneou, seria mais interessante entrar em sintonia com os próprios sentimentos. Se a tristeza aparecer, chore em paz, e só depois analise seu comportamento.

Talvez você se dê conta de que estava sendo muito crítica com ele e, a partir daí, aprenda a admirar mais a pessoa que você ama, percebendo com isso o que pode melhorar em sua maneira de demonstrar amor. Se você fizer as perguntas certas, conseguirá aprender muito sobre si mesmo. Faça suas perguntas, mesmo que elas fiquem muito tempo sem resposta:

O que é essencial para você? Qual é a sua meta profissional? Como gostaria de estar daqui a dez anos? O que você precisa fazer para realizar seus projetos? A sua vida está do melhor jeito que poderia estar agora?

A capacidade de explorar nosso mundo interior nos ajuda a tomar melhores decisões e a evitar problemas decorrentes da nossa maneira de ser. Quando tinha 20 anos, eu era o rei das decisões impulsivas. Decidia comprar alguma coisa sem pensar e alguns dias depois me tocava de que tinha feito besteira. Depois de algum tempo decidindo errado, prometi a mim mesmo que sempre me daria um prazo de uma semana para pensar antes de comprar qualquer coisa cara.

Certa vez, um deputado telefonou-me e convidou-me a assumir um cargo de diretor de um importante hospital público. Pedi a ele o prazo de um dia antes de lhe dar a resposta. Foi um sacrifício, pois a vontade era de dizer sim na hora. Pensei sobre o assunto e me dei conta de que aceitar o convite não fazia sentido, considerando a minha vocação de psiquiatra. O que eu gostava era de escutar as pessoas e ajudá-las a se realizar. Foi um alívio quando liguei para dizer “não, obrigado!”.

Minha alma celebrou a decisão. Algumas vezes, sua rota precisa ser reajustada e você só descobrirá isso se souber conversar consigo mesmo. Ficar em silêncio ajuda a escutar a voz da sua alma. Pergunte-se sempre o que realmente importa em cada momento de sua vida.