Nelson Tanuma
Consultor, palestrante e escritor, especialista em desenvolvimento do potencial humano. Foi dekassegui em 1993.

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Percebemos, com clareza cada vez maior, a necessidade de que as regras e métodos pedagógicos fiquem subordinados ao objetivo único de permitir a manifestação da individualidade das crianças. Pais e professores devem encontrar o caminho que os levará a compreendê-las melhor. Nessa busca, deverão ser levados em consideração seus dons especiais e também suas dificuldades em relação a certas matérias escolares.

Faz-se necessário que os educadores passem a dar maior ênfase à manifestação da individualidade específica de cada criança, em especial buscando os dons e competências inatas dela. Pais e professores devem perguntar constantemente o que elas mais gostam de fazer.

Muito do que se aprende na escola não tem utilidade prática no nosso cotidiano. Boa parte do que é ensinado em aulas de matemática, física, química, biologia, entre outras matérias, não servem como recursos válidos para sermos bem-sucedidos pessoal e profissionalmente no futuro.

Precisamos parar de agir como se somente as crianças extrovertidas fossem normais, e parar de tentar fazer com que os alunos ajam de forma contrária às suas características. Valorizar o potencial específico de cada criança, recompensando-a através do elogio sincero, é um bom começo.
A psiquiatra e educadora Nise da Silveira ensina que “os indivíduos estão inconscientes dos problemas da vida adulta; pior que isso, procuram disfarçá-los conscientemente, transpondo erroneamente esse ideal para a infância”.

Nise vê algo de má-fé em nosso entusiasmo pedagógico, uma vez que falamos apenas sobre as crianças e muitas vezes esquecemos dos adultos. Ela acredita que ao tratarmos da educação, deveríamos ter em vista, também, a criança que existe dentro do adulto. Segundo ela, “em cada adulto está escondida uma criança – uma eterna criança, algo que está sempre crescendo, que nunca se completa e exige incessante cuidado, atenção e educação”. Assim, para que a educação seja eficaz no enfrentamento e resolução das dificuldades da vida, deve ser dirigida também a jovens e adultos. Nasce daí a importância dos treinamentos de desenvolvimento de competências comportamentais do ser humano.
O psicólogo Jung, discípulo de Freud, na mesma direção de Nise, afirmava que o chamado “furor pedagógico moderno” é uma fuga do enfrentamento dos problemas da educação. Ele explica que os germes do desenvolvimento que se fizeram notar na infância só atingem a maturidade na idade adulta, e que, somente nessa fase da vida, os elementos que compõem a psiquê poderão organizar-se em uma “personalidade”.

Em um de seus últimos livros, Presente e Futuro, publicado em 1957, Jung denuncia a ação estranguladora das influências coletivas sobre o indivíduo, provenientes da educação, do Estado e das crenças religiosas. O futuro da humanidade, segundo ele, dependerá do número de homens que consigam desenvolver o potencial e consciência num grau acima da média e do senso comum.

Jung procurou alertar-nos sobre a transformação do ensino em produto. Pior que isso é e a robotização do ser humano, é a transformação do cidadão em “vaquinha de presépio”, sem visão crítica e sem liberdade de expressão. A educação do adulto só estará completa quando o ser humano aprender a viver conscientemente o curso da sua vida de acordo com as leis da natureza, procurando ampliar os limites de sua própria consciência.