Roberto Shinyashiki
Psiquiatra, palestrante e autor de 13 títulos, entre eles Os Segredos dos Campeões, Tudo ou Nada e Heróis de Verdade.

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Precisamos ser fortes para suportar as adversidades da vida. Lembro-me que durante a faculdade de Medicina, alguns dos melhores alunos, aqueles que tiravam nota 10 na maioria das provas, ficavam apavorados na hora de cuidar de uma pessoa muito doente que chegava ao pronto-socorro. Uma coisa é ser competente com um livro nas mãos, outra bem diferente é ter presença de espírito na hora de agir sob pressão. Muito semelhante a isso é quando um jogador se destaca em um time do interior, mas desaparece na hora de jogar em um time grande.

Ter sucesso significa enfrentar problemas cada vez maiores! É fundamental ter segurança para agir em momentos em que um erro pode ser fatal. Os colegas de trabalho nos olham como se fôssemos a última esperança para que os resultados aconteçam. O chefe nos cobra, ameaçando nos demitir, caso as metas não sejam atingidas. No amor é a mesma coisa: você está apaixonada pelo seu namorado, mas sua futura sogra está fazendo a maior pressão para vocês terminarem. Todos os dias você percebe que ela está tentando convencê-lo a desistir desse namoro. A ex-namorada vive ligando para ele, tentando reatar. E, ainda assim, você tem de manter a presença de espírito, porque sabe que somente uma boa relação mantém-se viva e forte.

O pior é quando tudo acontece ao mesmo tempo: pressão no trabalho, no amor e, para complicar ainda mais, uma doença grave na família. O momento culminante dessa pressão acontece quando as cobranças externas se somam às nossas inseguranças. Por exemplo: seu pai vive lhe cobrando que passe naquele concurso público, mas, se você não acreditar em si mesmo, as coisas ficarão muito piores.
Na caminhada pela vida, muitos desafios vão aparecer. Com eles, virão dúvidas, ansiedade, medo e muita pressão. É natural que seja assim. Coisas novas e importantes na nossa vida sempre nos dão um frio na barriga.

Lembro-me do dia em que o obstetra do hospital em que eu trabalhava pediu que eu fizesse uma cesariana. Era um quadro de sofrimento fetal grave. Eu tinha poucos minutos para tirar a criança de dentro da barriga da mãe. O obstetra de plantão estava em outra cirurgia. Somente eu podia atender a mãe. Na minha cabeça, ecoavam vozes repetindo frases negativas: E se eu não souber o que fazer? E se der tudo errado? E se a criança morrer?

Só tive tempo de rezar um pai-nosso e começar. No momento em que fiz a primeira incisão, as vozes pararam, concentrei-me na cirurgia e deu tudo certo. Lógico que pensei em recusar o pedido do obstetra, pois não era minha obrigação fazer a cirurgia naquelas condições. Mas o desejo de cuidar da mãe e da criança foi maior que a insegurança. Nunca deixe o medo impedi-lo de realizar suas metas de vida. Já pensou o que teria acontecido com minha carreira se eu tivesse deixado o medo me vencer em situações como essa?

Uma das melhores maneiras de enfrentar o medo é ter o preparo adequado para o desafio. Eu, por exemplo, já tinha feito muitas cesarianas sob a supervisão de professores. Saber o que fazer e ter praticado muitas vezes aumenta a autoconfiança. Os atletas sabem disso, por isso treinam tanto.

Atores experientes controlam a ansiedade da estréia de um novo espetáculo com muito ensaio. Na condição de estreante em um novo palco da vida, você também está sujeito a dores de barriga nas horas mais impróprias. Especialmente agora, que está pronto para encenar um espetáculo que ainda não tem roteiro. Prepare-se bem, concentre-se em seu objetivo, mentalize o cenário, sinta que tem muitas pessoas torcendo por você e vá sempre em frente. Se algum problema aparecer no meio do caminho, confie em você e lembre-se de um ditado que nos ensina a manter a fé: “No fim, tudo dá certo. Se não deu certo, é porque você ainda não chegou ao fim”.