Leila Navarro
Escritora e palestrante motivacional e comportamental, é ganhadora do prêmio Top of Mind de melhor palestrante do ano.

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Uma família mora na mesma casa. Cada membro está sentado em frente a um computador, em seu respectivo quarto. Cada um deles experimenta um entretenimento diferente, todos proporcionados pela tecnologia. Cada um está ligeiramente consciente da presença dos outros familiares na casa, no entanto, não sabe ao certo se realmente todos se encontram ali, nem o que estão fazendo, muito menos o que estão sentindo.

Gradualmente, o virtual vem substituindo o presencial e não nos damos conta disso. Exagero? Pode até ser que sim, mas foi só por conta disso que me dei conta da realidade. Na verdade, só comecei a refletir quando me peguei conversando com minha filha pelo MSN. Eu estava no meu quarto. Ela, na sala. Isso em um apartamento com não mais do que 200m². Ficamos mais de 15 minutos em frente ao computador, rindo, brincando, “tirando sarro”… Será que se estivéssemos frente a frente a conversa não seria mais proveitosa?

É incrível como estamos nos tornando cada vez mais dependentes da tecnologia e, com isso, nos isolando cada dia mais, e perdendo nossa capacidade de um convívio simplesmente natural. Isso te preocupa? A mim também. Por isso, proponho um exercício:

Desconecte-se da tecnologia em seu dia de folga.

Experimente! É difícil? Muito! Mas força, você vai agüentar! Siga os seguintes passos:

Desconecte o telefone, o interfone, o celular, a TV, o DVD, o vídeo, o computador, o rádio, aparelho de som, relógios eletrônicos, máquinas digitais, enfim, tudo que tem um fiozinho conectado à parede ou uma bateriazinha para funcionar.

Agora, movimente-se pela casa, sem que nenhuma tecnologia esteja a seu alcance. O quê? Você está desesperado? Entrou em pânico? Acalme-se, é normal! Respire fundo, aguarde uns instantes e você estará melhor! Pense em algo que você pode fazer com a SUA energia, em vez de consumir a energia dos aparelhos eletrônicos.

Experimente desenhar, pintar, moldar, ler, escrever, tocar um instrumento… Pense, converse, caminhe, mexa em seu jardim, compre flores e arrume em um vaso, veja o pôr do sol… Viu quantas coisas? Fora as inúmeras outras que você pode inventar!

Reumanize-se. Isso lhe fará muito bem. Lembre-se mais das pessoas. Um carinho é muito mais prazeroso que um e-mail. Lembre-se de sua saúde, uma caminhada ao ar livre vale mais que uma maratona pela internet. Lembre-se da natureza, um pôr do sol, mesmo na avenida, em meio a um trânsito quilométrico, é mais energético que uma paisagem linda virtual.

A nossa vida é real. O resto das coisas deve vir somente para agregar, e não para tomar o espaço da realidade. Viva! Seja feliz! E até a próxima coluna, porque agora estou indo almoçar pessoalmente com minha filha.