Roberto Shinyashiki
Psiquiatra, palestrante e autor de 13 títulos, entre eles Os Segredos dos Campeões, Tudo ou Nada e Heróis de Verdade.

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Conviver é permitir que todos tenham chance de participar. Não é um ato facultativo. É vital, seja no ambiente familiar, seja no profissional. Um trabalhador nunca pede demissão da empresa, e sim de seu chefe. A maneira como um líder se relaciona com as pessoas define sua qualidade como profissional e também como ser humano.

O líder precisa se relacionar, seja no trabalho, na família, no relacionamento amoroso.

Mesmo que seu ritmo de trabalho seja intenso, é muito importante conversar com as pessoas do seu dia-a-dia. É uma forma saudável de mostrar a todos que os valoriza e também de saber como suas vidas e projetos estão andando.

Líderes que não sabem se relacionar são fontes de tensão. Precisamos criar um ambiente saudável. A maioria das empresas e das famílias vive poluída de ressentimento, culpa e insegurança. É nosso dever lutar para que a compreensão e a cooperação imperem no trabalho e em casa.
Precisamos resgatar a beleza da generosidade com pontos de vista divergentes e ter a curiosidade de conhecer uma forma de pensar diferente. Essas virtudes criam a beleza de nossa passagem por este planeta.

Vejamos, então, algumas sugestões de como desenvolver bons relacionamentos, dignos de líderes.

1. Conversar. O casal até conversa sobre decoração, mas quase nada sobre o lar que deseja construir. Os pais orientam os filhos, mas poucos perguntam sobre seus sonhos. Os filhos costumam reclamar que os pais não entendem o que eles dizem, mas não se dispõem ao diálogo. Nas empresas, discutem-se projetos, mas não se abrem espaços para que anseios sejam compartilhados. Precisamos deixar nossa imaginação voar com um companheiro. Criar tempo para conhecer o outro é fazê-lo entrar em nosso mundo. Conversar, antes de mais nada, é ter curiosidade sobre o mundo do outro, é olhar essa pessoa com os olhos do novo.

2. Confrontar. É fundamental dizer às pessoas, de maneira direta, firme e clara, quando uma atitude incomoda. Quando não expressamos nosso desagrado, corremos o risco de nos afastar, negando ao outro a oportunidade de nos conhecer. É fundamental resolver uma questão antes de se iniciar outra. Em geral, a pessoa confrontada põe na mesa outro tema que a incomoda. Mas insista em conversar sobre a insatisfação dela depois. Lembre-se de que cabe ao outro a decisão de mudar ou não.

3. Pedir desculpas. É difícil passar pela vida das pessoas sem incomodá-las. No entanto, quando negamos um erro, agravamos a situação. Reconhecê-lo é valorizar o outro. É assumir o compromisso de agir diferente da próxima vez.

4. Elogiar. Todo mundo tem necessidade de ser reconhecido, de saber que provoca admiração. A imagem que as pessoas fazem de si mesmas se reflete na forma como se arriscam na vida. Quando as pessoas se consideram capazes, as mudanças são mais fáceis. Infelizmente, muitos acreditam que, para ajudar alguém a crescer, é preciso criticar. Dicas são importantes, mas elogiar é essencial.

5. Agradecer. Na Índia, os mestres dizem que a pessoa iluminada vive em estado de gratidão. Quando se agradece a alguém, reconhece-se a comunhão entre duas pessoas e cria-se a energia que fará a celebração se repetir. Mas agradeça também seus adversários e os problemas, que o fazem crescer.

6. Pedir ajuda. Todos os humanos passam por momentos de fragilidade. Quando isso acontece, há três reações prováveis. Isolar-se, para que os outros não descubram a necessidade de ajuda. Manipular, a fim de que os outros prestem ajuda por se sentirem pressionados pelo medo ou pela culpa. E, a mais indicada, pedir ajuda. Pedir ajuda valoriza os conhecimentos do parceiro, mostrando que suas opiniões são importantes. E, quando todos se sentem aptos e importantes, a equipe fica mais forte!