Roberto Shinyashiki
Psiquiatra, palestrante e autor de 13 títulos, entre eles Os Segredos dos Campeões, Tudo ou Nada e Heróis de Verdade.

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Grande parte de nossas ações são motivadas pela necessidade de reconhecimento. Um pequeno instante de sua atenção pode mudar totalmente a trajetória de vida de uma pessoa.

Comportamentos improdutivos são bem típicos de pessoas que desejam receber carícias que lhe fazem falta na vida. Descobrir qual é essa carícia e dá-la é a melhor maneira de esvaziar esse comportamento.

Uma adolescente que briga com todo mundo em casa, por exemplo, pode estar precisando escutar dos pais: “Filha, eu confio muito em você, é hora de você cuidar da sua vida. Sempre que precisar, pode contar conosco que estaremos aqui”. Um trabalhador que tem atos de rebeldia pode estar precisando que o chefe lhe diga o quanto é importante para o projeto.

O marido que vive reclamando de tudo em casa pode estar precisando de um carinho na hora de dormir. Uma mulher com gastrite pode estar necessitando de que a família lhe leve o café na cama com flores e bilhetes carinhosos, no domingo de manhã.

Quando alguém, em qualquer lugar, tiver um comportamento que não faz parte do seu jeito de ser, ele está falando bem alto: “Estou precisando me sentir importante para você!” Quando ele está falando alto e não é escutado, começa a gritar. Se não recebe nada em troca, acaba ficando afônico: seu corpo perde o viço, seu olhar perde o brilho… porque não conseguiu se sentir importante para a pessoa que ama…

Nossas condutas são induzidas pela necessidade de reconhecimento. Algumas, de maneira imediata: “Ei, por que você não me cumprimentou?” Outras, a longo prazo: “Com esta descoberta, vou ganhar um prêmio Nobel”. Ou: “Eles ainda me pagam…!” Ou ainda: “Vou ganhar muito dinheiro para conseguir dar uma casa para os meus pais”.

Toda uma série de acontecimentos pode ser motivada por um simples gesto de atenção (lembram-se das loucas histórias de paixão de adolescentes, resultado, às vezes, de simples e singelos olhares?). A vida dos seres humanos é orientada quase sempre para receber do pai um abraço que não se conseguiu quando criança, de modo incondicional, simplesmente pelo fato de ser o filho. Carreiras que poderiam ter sido brilhantes vão desmoronando por falta de estímulos e elogios.

Muitas vezes, os seres humanos funcionam como burros que caminham atrás da cenoura suspensa em uma vara na frente. Caminham sem parar e, freqüentemente, nem chegam a comer a cenoura (andando atrás de um vislumbre de reconhecimento). São pessoas que colocam um objetivo lá na frente, sem valorizar o prazer de viver o presente. Esse objetivo longínquo pode ser uma situação na qual vão receber uma tonelada de carícias, por ter atingido o alvo. Outras vezes, não recebem as carícias simplesmente por não conseguirem alcançar o objetivo.

É importante, na vida de todos nós, que cuidemos de procurar as carícias das quais necessitamos, ao mesmo tempo que, a cada momento, desfrutamos o fato de estarmos vivos. Reserve minutos de sua vida para dar atenção ao próximo.