Nikos Magno
tem um ponto de vista privilegiado do futebol profissional japonês e escreve sobre a J-League e o panorama esportivo no arquipélago para a Gambare! Online

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A seleção brasileira deu uma goleada histórica em Portugal e mesmo assim, alguns formadores de opiniões da imprensa esportiva não deram trégua ao técnico Dunga. Apesar do retrospecto favorável à frente da seleção, o ex-volante está sempre com a corda no pescoço. A pressão é sempre enorme e as críticas duras, como se houvesse prazer em fazê-las.

A seleção japonesa, na mesma semana, jogou pelas eliminatórias para a Copa do Mundo na África do Sul e venceu com facilidade a equipe do Catar, que parecia mais com um amontoado de jogadores do que com um time de verdade. O Japão venceu, é lógico.

As diferenças mais gritantes desses dois jogos não foram às vitórias ou a importância dos adversários, mas os comentários realizados durante as partidas.

O Brasil – pentacampeão mundial, fornecedor de craques para o mundo inteiro e vencendo por goleada – era criticado o tempo todo. Os japoneses que mal conseguem se classificar para uma Copa, sem tradição esportiva e nenhum craque pelo mundo, são sempre elogiados pelos comentaristas, que de profissionais não tem nada.

É lógico que a importância dos jogos e a qualidade das equipes eram diferentes, mas dizer que os atletas japoneses estavam ótimos em tudo, perfeitos nos passes, maravilhosos na marcação, criativos nas armações das jogadas já é demais. Será que ninguém enxerga que as eliminatórias asiáticas são as mais fracas entre todos os continentes e para a segunda potência econômica mundial vencer equipes amadoras não é mais do que obrigação?

A imprensa japonesa, mesmo entendendo pouco de futebol, deveria orientar seus profissionais e escolher a dedo os comentaristas, que não podem ser, em hipótese alguma, um ex-jogador ou treinador frustrado para não passar impressões distorcidas. O profissionalismo dentro de campo começou há dezesseis anos, fora dele ainda engatinha.

J. League
Faltando duas rodadas para o término do campeonato, apenas três equipes possuem chances reais de levar o troféu. Kashima Antlers, Nagoya Grampus e Kawasaki Frontale, que venceram neste final de semana. Matematicamente, Trinita Oita e Mitsubishi Diamond também possuem em chances, mas precisam de uma combinação de resultados difíceis de acontecer.

Na parte de baixo da tabela, quatro equipes lutam para não cair e fazer companhia para o Consadole Sapporo que irá disputar a segundona o ano que vem. Para as próximas rodadas emoções dobradas.