
Aeroporto de Nagoya (Aichi) com vôos lotados para o Brasil revela
agravamento da crise
A crise que assola o Japão no ano de 2008 está fazendo com que os brasileiros desistam do sonho de juntar dinheiro por um tempo determinado e voltem ao seu país natal antes mesmo de concretizá-lo.
Estou aqui há um ano e meio, mas não volto de jeito nenhum! Nem reentry tirei, para não cair em tentação de voltar para cá. Só volto em último caso, porque estou cansado daqui. Mesmo tendo cancelado a faculdade no Brasil, vou tentar novamente por lá
Thiago Otsubo, um ano e meio no país
Nunca vi o Japão assim. No Brasil também não tenho muitas perspectivas, porém não compensa mais morar no Japão. Ficar aqui acaba dando só preocupação
Ricardo Yamaguchi, seis anos de Japão
A quantidade de brasileiros que estão retornando ao Brasil é visivelmente maior do que em relação a 2007, de acordo com a apuração feita pelo Tudo Bem em agências de turismo, empreiteiras e entre dekasseguis.
O Aeroporto Internacional de Chubu (Centrair), em Nagoya, está com vôos lotados para o Brasil, cujos passageiros são compostos praticamente de dekasseguis que pretendem voltar para não retornar ao Japão.
É o caso de Ricardo Yamaguchi, que está no Japão há seis anos sem nunca ter voltado ao Brasil. Desta vez, pretende retornar por conta da crise para nunca mais voltar. “Nunca vi nenhuma crise parecida aqui.
No Brasil também não tenho muitas perspectivas, porém não compensa mais morar no Japão, como era antes”. Ele, que é de Hamamatsu (Shizuoka), sempre trabalhou em fábrica e considera que, do jeito que está, morar no Japão “acaba só dando preocupação”.
As empreiteiras também concordam que muitos brasileiros decidiram não ficar mais no arquipélago, tanto por conta da crise como pelo fato de o Brasil estar em situação atual considerada economicamente favorável.
“Tenho 11 anos de Japão, e esta é a pior crise de todas. A produção nas fábricas caiu uns 30% em relação ao ano passado. Os brasileiros reclamam, querem trabalhar, precisam das horas extras. E os que estão há bastante tempo e possuem algumas economias estão voltando ao Brasil. Pra mim, daqui para o final do ano, serão mais cortes.
No final do ano o orçamento com certeza será baixo, e talvez melhore um pouco na contratação, porque tem muita gente indo embora em dezembro. Mas será difícil aumentar as horas extras”, afirma o funcionário de uma empreiteira em Okazaki (Aichi), cujo foco é em contratação para autopeças e eletrônicos.
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